Resenha: Seis Coisas Impossíveis

Título: Seis Coisas Impossíveis (2013)

Autor: Fiona Wood

Editora: Novo Conceito

Páginas: 272

Sabe quando tudo parece acontecer de uma só vez e a vida dá aquela sacolejada na gente? Foi o que aconteceu com Dan. O pai do jovem faliu, assumiu que é gay, e se separou de sua mãe. Sem dinheiro, os dois tiveram de se mudar para uma casa estranha que receberam de herança. A vida boa que Dan tinha, as noites de comida farta e saídas para jantar, agora são uma lembrança distante. Ele tem de assumir responsabilidades e tentar se encaixar em sua nova escola. Sua única distração é a vizinha Estelle. E, também, uma lista de coisas impossíveis a fazer:

1. Beijar a garota.
2. Arrumar um emprego.
3. Dar uma animada na mãe.
4. Tentar não ser um nerd completo.
5. Falar com seu pai quando ele liga.
6. Descobrir como ser bom e não sair abandonando os outros por aí…

Seis Coisas Impossíveis é, inegavelmente, um aguinha com açúcar. Ainda assim, é um aguinha com açúcar que dá lições bacanas sobe como é possível fazer do limão uma limonada e aproveitar a beleza da simplicidade. Como é o caso de muitos jovens, Dan acaba tendo que amadurecer antes do tempo. Arruma um emprego, adquire mais responsabilidades, mas, ainda assim, não deixa de ser um adolescente comum, que tem seus anseios, dúvidas, inseguranças e fortes opiniões. Dan é um menino sensível que, apesar de querer se encaixar como qualquer outro, tem uma admirável noção de quem ele é. Aliás, talvez até um pouquinho demais para a idade, isso foi algo que me incomodou um pouco no livro. Às vezes, parece que a história está sendo narrada por um adulto e fiquei com a sensação de que faltou profundidade em várias situações. No caso de Dan, seria perfeitamente normal ele ter acessos de raiva ou tristeza e, ainda que isso apareça de vez em quando, a calma com a qual ele resolve a maioria das situações é um tanto intrigante. Proposital ou falta de aprofundamento no personagem? Bom, seja o que for, não é um livro ruim e certamente vale o entretenimento. Aliás, fazer uma lista de seis coisas impossíveis parece uma boa ideia. Às vezes, a gente tem dificuldade em visualizar o futuro e os próprios sonhos. Colocar no papel definitivamente ajuda a colocar a cabeça em ordem.

Bem, apesar da boa ideia, classifiquei o livro como “chuchu”. Se está ali, bacana, vamos comer. Se não está, não faz diferença nenhuma. Pelo menos para mim! Bem que dizem que chuchu é o quarto estado da água…

Chuchu

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Jovens leem por obrigação ou diversão?

Se absolutos sucessos literários como as sagas Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo são algum indicativo, jovens têm, cada vez mais, se inserido no mundo dos livros. Em termos de “mercado”, o segmento teen tem aumentado com os anos: conforme a empresa de pesquisa de mercado GfK, o volume de vendas na área aumentou 19,5% em 2013. Para este ano, o nicho da literatura feminina e histórias para jovens já é visto como tendência no Brasil e no mundo.

No entanto, surgiu um dado um tanto quanto controverso: a Nielsen Book informou em uma pesquisa, divulgada na Digital Book World 2014, que 41% dos adolescentes entrevistados não leem por diversão. Em 2011, a mesma pesquisa (que ouviu a galera entre 13 e 17 anos) obteve um resultado de 21%, o que indica um aumento no número de teens que leem pela temida “obrigação”. A empresa afirmou que o mercado digital de livros, que anda crescendo, pode ser um incentivo. Ainda assim, fica a pergunta: com um dado positivo e um negativo, qual predomina?

A geração é dos smartphones e tablets. É verdade que muitos jovens odeiam ser “obrigados” a ler, seja para trabalhos de escola ou até estudo para concursos. Agora, também é igualmente verdade que, quando encontram algo que lhe agrada, a paixão pela história e leitura desperta de forma avassaladora. Harry Potter, por exemplo, ultrapassou a marca dos 450 milhões de livros vendidos em todo o mundo. A trilogia Jogos Vorazes passou dos 50 milhões e Crepúsculo superou 150 milhões. Isso sem mencionar outros fenômenos como O Senhor dos Anéis, O Hobbit (que não são considerados teen, mas capturaram a atenção de jovens da faixa etária mesmo assim) e Percy Jackson.

Resumindo a ópera, acho que a área teen é, sim, uma tendência, e, mesmo que dê para perceber uma resistência de muitos adolescentes à leitura, o número de vendas de livros para a galera subiu. Fica aí a missão para que as escolas e os pais possam incentivar o mergulho nos livros e a importância de desenvolver o pensamento crítico. História para apaixonar o pessoal não falta.