Final alternativo para Harry Potter

A postagem de um fã descontente com o final da série Harry Potter provocou muita discussão pela Internet. A postagem parece ter sido feita há um ano no IMGUR, mas eu só a vi recentemente. Em primeiro lugar, deixem-me dizer (mais uma vez) que sou apaixonada pela saga e que amei o sétimo livro. O epílogo, contudo, me pareceu completamente desconectado do resto da história. Gostei do que aconteceu, é claro – Harry merecia um final feliz, afinal de contas!, mas achei estranho, como se algo estivesse faltando.

Esse final sugerido pelo fã seria triste, talvez, mas genial mesmo assim. Consiste, basicamente, em uma interpretação diferente para a profecia entre Harry e Voldemort. A parte que diz “either must die at the hand of the other; for neither can live while the other survives”. No livro, significa que um terá de morrer pelas mãos do outro, mas o fã questionou o seguinte: e se o significado fosse que a única maneira que qualquer um deles pudesse morrer fosse pelas mãos do outro? Isso significaria que quem sobrevivesse não poderia morrer nunca. Se Harry matasse Voldemort, então, sacrificaria a própria morte. Ou seja, teria de viver para sempre, se tornando, literalmente, O Menino Que Sobreviveu. Muitos diriam “ah, que máximo”, mas ele teria de presenciar a morte de todos os seus entes queridos e jamais poderia reencontrá-los em algum lugar após a morte (um conceito inserido claramente no livro, de que há algum lugar para “além do véu”). Seria um sacrifício terrível para Harry.

Achei a ideia absolutamente fantástica e me perguntei por que motivo J.K. Rowling não seguiu um rumo assim. Fecharia completamente com os conceitos de vida após a morte que apareceram durante os sete livros. Certamente, ela deve ter pensado em algo parecido. Mas as histórias de J.K. passaram por editores. Com certeza, o lado comercial e o fim “água com açúcar” tiveram de prevalecer. Ainda assim, é fantástico imaginar como poderia ter sido. As possibilidades são inúmeras e essa é a beleza da ficção. E da vida. =D

J.K. Rowling vai lançar novo livro sob pseudônimo

Depois de O Chamado do Cuco, lançado sob o pseudônimo Robert Galbraith, J.K. Rowling vai fazer uma continuação. A informação foi publicada no Twitter da autora (com o nome @RGalbraith).

O segundo livro se chamará The Silkworm (o bicho-da-seda) e tem data de lançamento prevista para 19 de junho deste ano.

Capa de The Silkworm, novo livro de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling

Capa de The Silkworm, novo livro de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling

No primeiro livro desta nova saga de J.K., mundialmente conhecida pela série Harry Potter, o personagem Cormoran Strike é um veterano da guerra do Afeganistão. Ele se torna detetive e tem de investigar a morte de uma modelo problemática, um caso que acaba deixando o investigar pertíssimo do perigo.

Agora, Strike vai ter de desvendar o sumiço de um escritor que está prestes a publicar um livro com segredos cabeludos de pessoas próximas a ele.

Sou absolutamente apaixonada pela saga Harry Potter. Li Morte Súbita, o primeiro (oficial) de J.K. depois do fim da série, e achei um tanto confuso e uma história não tão cativante quanto sei que a autora é capaz. Já encomendei O Chamado do Cuco e certamente lerei esta nova obra. Assim que eu finalizar a leitura, coloco uma resenha aqui! Vamos ver “qualéqueé” a deste cidadão chamado Cormoran Strike…

O arrependimento de J.K. Rowling?

Um pedaço de uma entrevista da autora J.K. Rowling, que ficou famosa pela saga Harry Potter, divulgada pelo jornal The Sunday Times, surpreendeu os fãs. A entrevista foi conduzida pela atriz Emma Watson, que viveu Hermione nas adaptações cinematográficas, para a revista Wonderland. No trecho, J.K. disse que Hermione deveria ter se casado com Harry, e não com Rony, como aconteceu na trama. 

Quem me conhece sabe que sou apaixonada pela saga potteriana e que sou fã confessa do casal Rony e Hermione. Agora, J.K. partiu meu lindo coração em mil pedacinhos ao afirmar que escreveu a relação de Rony e Hermione por um desejo próprio. “Por razões que tem pouco a ver com literatura e mais a ver comigo me ligando à trama que imaginei no começo, Hermione ficou com Rony”, disse. Ela ainda afirmou que podia ouvir a fúria que a declaração causaria em alguns fãs, mas garantiu que estava sendo honesta e que, agora, sete anos depois do fim da série, pôde analisar a situação. A autora ainda afirmou que Rony e Hermione certamente precisariam de terapia de casal.

A declaração reacendeu o fogo da batalha “fãs de Rony e Hermione x fãs de Harry e Hermione”. Um dos argumentos dos fãs do protagonista e da bruxa é de que Rony era muito inseguro e que a relação não teria sido saudável e que o fato de Harry e Hermione serem bruxos poderosos e trem crescido como trouxas os faria mais compatíveis.

Fiquei chocada com a notícia. A relação entre Rony e Hermione sempre esteve longe de ser perfeita, mas uma das coisas que sempre gostei na série foi justamente o fato de várias situações acontecerem da maneira mais imperfeita e real possível. Talvez Harry fosse o “par ideal” em termos de compatibilidade, a escolha “óbvia” e segura. Mas o amor não escolhe personalidades perfeitas. Elas não existem. O próprio Harry também foi escrito como tendo uma série de questões mal-resolvidas, mas sempre percebi Rony muito mais “humano” nesse sentido. Justamente por isso, sempre achei a relação dele com Hermione muitíssimo bem escrita e bem pensada, mais do que seria fazer Harry ficar com Hermione.

É estranho ouvir um arrependimento após milhares de declarações da própria J.K. que afirmavam o contrário. Acho excelente que ela tenha escrito por desejo próprio e não por questões de “literatura”. Ora, a saga inteira é um reflexo da vida da autora: aprender a lidar com a morte, o sentimento de ser órfão, pobreza, depressão, mas também amor, amizade e magia. Ao meu ver, se ela tivesse seguido alguma receita de bolo-literário, certamente a saga não seria o que é hoje.

Na trama, Rony e Hermione casaram e tiveram dois filhos: Rose e Hugo. Vamos aguardar a íntegra da entrevista para, talvez, entender melhor o contexto. Ou ela simplesmente mudou de ideia, está se autoanalisando ou resolveu jogar lenha na fogueira para ver a fumaça subir.

(Sim, passei de 365 palavras, mas vamos combinar: a situação pediu!)

Jovens leem por obrigação ou diversão?

Se absolutos sucessos literários como as sagas Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo são algum indicativo, jovens têm, cada vez mais, se inserido no mundo dos livros. Em termos de “mercado”, o segmento teen tem aumentado com os anos: conforme a empresa de pesquisa de mercado GfK, o volume de vendas na área aumentou 19,5% em 2013. Para este ano, o nicho da literatura feminina e histórias para jovens já é visto como tendência no Brasil e no mundo.

No entanto, surgiu um dado um tanto quanto controverso: a Nielsen Book informou em uma pesquisa, divulgada na Digital Book World 2014, que 41% dos adolescentes entrevistados não leem por diversão. Em 2011, a mesma pesquisa (que ouviu a galera entre 13 e 17 anos) obteve um resultado de 21%, o que indica um aumento no número de teens que leem pela temida “obrigação”. A empresa afirmou que o mercado digital de livros, que anda crescendo, pode ser um incentivo. Ainda assim, fica a pergunta: com um dado positivo e um negativo, qual predomina?

A geração é dos smartphones e tablets. É verdade que muitos jovens odeiam ser “obrigados” a ler, seja para trabalhos de escola ou até estudo para concursos. Agora, também é igualmente verdade que, quando encontram algo que lhe agrada, a paixão pela história e leitura desperta de forma avassaladora. Harry Potter, por exemplo, ultrapassou a marca dos 450 milhões de livros vendidos em todo o mundo. A trilogia Jogos Vorazes passou dos 50 milhões e Crepúsculo superou 150 milhões. Isso sem mencionar outros fenômenos como O Senhor dos Anéis, O Hobbit (que não são considerados teen, mas capturaram a atenção de jovens da faixa etária mesmo assim) e Percy Jackson.

Resumindo a ópera, acho que a área teen é, sim, uma tendência, e, mesmo que dê para perceber uma resistência de muitos adolescentes à leitura, o número de vendas de livros para a galera subiu. Fica aí a missão para que as escolas e os pais possam incentivar o mergulho nos livros e a importância de desenvolver o pensamento crítico. História para apaixonar o pessoal não falta.

Ficção no Twitter: um novo gênero?

Bem que dizem que, para bom entendedor, meia palavra basta, mas bastariam 140 caracteres? O #TwitterFiction é um festival da rede social que teve sua primeira edição em 2012. Por um período, os internautas deviam contar boas histórias usando somente o limite de espaço que tornou o Twitter famoso: 140 caracteres – ou menos! Seria possível?

Bem, foi. Há dois anos, autores e internautas do mundo todo enviaram ideias e um número oficial de participantes foi selecionado para, em tempo real, criarem personagens e enredos. Foram até usadas imagens para ajudar na narrativa.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução/Twitter

Neste ano, o festival volta entre os dias 12 e 16 de março. Vários autores vão mostrar sua habilidade de contar histórias com poucas palavras e, é claro, os internautas novamente são convidados a fazer o mesmo. Até 5 de fevereiro, qualquer um pode enviar ideias e, se for selecionado, participará do evento em tempo real.

Nesta semana, o jornal The Guardian relembrou como foi o evento em 2012 e questionou: estaria surgindo um novo gênero? O grupo Penguin US já chamou o fenômeno de “twitterature” (referência à palavra “literatura” em inglês). A verdade é que é perfeitamente possível criar “histórias” em 140 caracteres. Podem surgir impressionantes conjuntos de frases que retratam uma cena ou acontecimento de forma realmente profunda e imaginativa.

Além disso, surgem boas histórias escritas de forma colaborativa, mas, é claro, podem não envolver uma narrativa convencional. De qualquer forma, como todo “novo” fenômeno, vale a pena ficar ligado. E por que não participar? Pode ser uma divertida brincadeira e, para quem almeja um dia publicar boas histórias e curte literatura, é uma maneira interessante de conhecer outros autores.

Para fazer a inscrição, basta entrar no site oficial do #TwitterFiction.