Resenha: Os Adoráveis

Foto: Raquel Reckziegel

Foto: Raquel Reckziegel

Título: Os Adoráveis (2012)

Autor: Sarra Manning

Editora: Novo Conceito

Páginas: 384

 Ser dork* é um estilo de vida. Pelo menos, é o que pensa a adorável Jeane. No mundo online, é uma blogueira premiadíssima com o Adorkable, twitteira de plantão e super consultada pela mídia (alternativa ou não!) sobre as tendências do mundo da moda dork. Na vida real, contudo, suas roupas de brechó, seus cabelos fora do padrão e a atitude “estou acima de você/essa juventude está perdida” acaba afastando as pessoas e a fazendo sentir, mesmo que ela não admita, solitária.

Os Adoráveis é um belo exemplo de título que serve para descrever o livro. Adorável mesmo. É uma história de amor entre uma jovem totalmente fora do comum e um rapaz para quem não seguir o padrão e as expectativas da sociedade é assustador. Bem que dizem que os opostos se atraem…

As vidas de Jeane e Michael se entrelaçam quando seus “ex” começam a sair juntos. Nenhum dos dois gosta muito da ideia de ter de falar com o outro, mas, por alguma razão misteriosa (daquelas que só quem ama consiga, talvez, entender – porque explicar é complicado), não conseguem evitar a atração e o magnetismo que sentem.

O que normalmente me incomoda em alguns livros que podem ser considerados é o modo superficial como as relações são abordadas. Sarra Manning conseguiu fazer exatamente ao contrário. Mergulhou na personalidade de Jeane e Michael abordando a vida de forma bastante adulta e me mostrou exatamente porque, afinal, os dois são perfeitos um para o outro. Porque são. Leiam. Vocês vão entender. =D

É difícil não simpatizar com Jeane. Mike, às vezes, parece um tanto comum demais, mas, afinal, ao lado da protagonista, quem não pareceria? Entre muitas brigas e discussões, Jeane apresenta a Michael um lado mais alternativo da vida e ele mostra a ela a importância do vínculo familiar e amoroso. Bem, eu seguiria o @adorkable no Twitter. Com certeza! #nósamamosaJeane

Vale a pena. Leitura leve, descontraída e bem-humorada.

*Estereótipo de jovem que usa óculos de aros grossos, roupas velhas e tende a ser magro ou gordo demais. Além disso, é visto como um outsider, um “excluído” dos meios sociais comuns. 

Bom

Jovens leem por obrigação ou diversão?

Se absolutos sucessos literários como as sagas Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo são algum indicativo, jovens têm, cada vez mais, se inserido no mundo dos livros. Em termos de “mercado”, o segmento teen tem aumentado com os anos: conforme a empresa de pesquisa de mercado GfK, o volume de vendas na área aumentou 19,5% em 2013. Para este ano, o nicho da literatura feminina e histórias para jovens já é visto como tendência no Brasil e no mundo.

No entanto, surgiu um dado um tanto quanto controverso: a Nielsen Book informou em uma pesquisa, divulgada na Digital Book World 2014, que 41% dos adolescentes entrevistados não leem por diversão. Em 2011, a mesma pesquisa (que ouviu a galera entre 13 e 17 anos) obteve um resultado de 21%, o que indica um aumento no número de teens que leem pela temida “obrigação”. A empresa afirmou que o mercado digital de livros, que anda crescendo, pode ser um incentivo. Ainda assim, fica a pergunta: com um dado positivo e um negativo, qual predomina?

A geração é dos smartphones e tablets. É verdade que muitos jovens odeiam ser “obrigados” a ler, seja para trabalhos de escola ou até estudo para concursos. Agora, também é igualmente verdade que, quando encontram algo que lhe agrada, a paixão pela história e leitura desperta de forma avassaladora. Harry Potter, por exemplo, ultrapassou a marca dos 450 milhões de livros vendidos em todo o mundo. A trilogia Jogos Vorazes passou dos 50 milhões e Crepúsculo superou 150 milhões. Isso sem mencionar outros fenômenos como O Senhor dos Anéis, O Hobbit (que não são considerados teen, mas capturaram a atenção de jovens da faixa etária mesmo assim) e Percy Jackson.

Resumindo a ópera, acho que a área teen é, sim, uma tendência, e, mesmo que dê para perceber uma resistência de muitos adolescentes à leitura, o número de vendas de livros para a galera subiu. Fica aí a missão para que as escolas e os pais possam incentivar o mergulho nos livros e a importância de desenvolver o pensamento crítico. História para apaixonar o pessoal não falta.

Ficção no Twitter: um novo gênero?

Bem que dizem que, para bom entendedor, meia palavra basta, mas bastariam 140 caracteres? O #TwitterFiction é um festival da rede social que teve sua primeira edição em 2012. Por um período, os internautas deviam contar boas histórias usando somente o limite de espaço que tornou o Twitter famoso: 140 caracteres – ou menos! Seria possível?

Bem, foi. Há dois anos, autores e internautas do mundo todo enviaram ideias e um número oficial de participantes foi selecionado para, em tempo real, criarem personagens e enredos. Foram até usadas imagens para ajudar na narrativa.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução/Twitter

Neste ano, o festival volta entre os dias 12 e 16 de março. Vários autores vão mostrar sua habilidade de contar histórias com poucas palavras e, é claro, os internautas novamente são convidados a fazer o mesmo. Até 5 de fevereiro, qualquer um pode enviar ideias e, se for selecionado, participará do evento em tempo real.

Nesta semana, o jornal The Guardian relembrou como foi o evento em 2012 e questionou: estaria surgindo um novo gênero? O grupo Penguin US já chamou o fenômeno de “twitterature” (referência à palavra “literatura” em inglês). A verdade é que é perfeitamente possível criar “histórias” em 140 caracteres. Podem surgir impressionantes conjuntos de frases que retratam uma cena ou acontecimento de forma realmente profunda e imaginativa.

Além disso, surgem boas histórias escritas de forma colaborativa, mas, é claro, podem não envolver uma narrativa convencional. De qualquer forma, como todo “novo” fenômeno, vale a pena ficar ligado. E por que não participar? Pode ser uma divertida brincadeira e, para quem almeja um dia publicar boas histórias e curte literatura, é uma maneira interessante de conhecer outros autores.

Para fazer a inscrição, basta entrar no site oficial do #TwitterFiction.

Resenha: O Lado Bom da Vida

Foto | Raquel Reckziegel

Foto | Raquel Reckziegel

Título: O Lado Bom da Vida (2008)

Autor: Matthew Quick

Editora: Intrínseca

Páginas: 256

(Primeiro post! Bem-vindos. O título do blog, 365 palavras, representa o número máximo que pode ser utilizado nas resenhas dos livros que serão postadas. Vamos lá!)

Se há sombra, não tema: isso quer dizer que há uma fonte de luz por perto. Veja o lado bom das coisas! Seja o protagonista do filme de sua vida. Não, não são mensagens tiradas de um livro de auto-ajuda. Esse é o recado de O Lado Bom da Vida, o primeiro livro que li neste ano. Ao contrário do que costumo fazer (sempre prefiro livros a adaptações cinematográficas), assisti primeiro ao filme estrelado por Bradley Cooper e Jennifer Lawrence ainda no ano passado. De imediato, a história me cativou. Ganhei o livro no final de 2013 e mergulhei na vida do ex-professor de História Pat Peoples.

Pat, já em seus trinta e poucos, fica internado por anos em uma clínica psiquiátrica (embora, no começo, ele pense que foram apenas meses). Ao sair, tem uma missão: se reconciliar com a esposa Nikki. Viciado em esportes, malha incessantemente e faz corridas pelo bairro, além de se inserir no mundo da literatura clássica americana, que antes desprezava. Só que Pat está por fora do que aconteceu no mundo enquanto estava internado e não se lembra do que o fez passar uma temporada no “lugar ruim”, como ele mesmo descreve. Ao longo do livro, vai se recordando, trabalhando seus distúrbios (um deles consiste em fortes crises de raiva) e conhecendo melhor a também problemática Tiffany, com quem começa uma improvável e forte amizade.

“Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando.”

Juntos, Pat e Tiffany formam o que poderia ser considerado por muitos um “casal de loucos”. Na verdade, são simplesmente duas pessoas com problemas e questões não-resolvidas (como todos nós, em maior ou menor grau), que tentam melhorar e descobrem um no outro uma importante fonte de apoio e compreensão (mesmo que não conversem muito!). De qualquer maneira, é uma leitura leve, agradável e cheia de boas mensagens. Não, a vida não é um filme como Pat achava e, às vezes, não termina com o “final feliz” que esperamos, mas é possível virar protagonista da obra, seguir em frente e descobrir novos caminhos.

Classificação:

Excelente